quarta-feira, 21 de maio de 2008

França, maio de 1968: a promessa da revolução


Por Luis Siebel


As comemorações dos 40 anos do maio de 68 na França não deixam dúvidas quanto aos importantes símbolos que se constituíram nas universidades, fábricas, barricadas de rua que surgiram desse processo de luta de classes e em todo o mundo. Buscaremos aqui contribuir com um sentido particular: entender como uma poderosa promessa de revolução conseguiu ser transformada pelos grandes meios e parte considerável da esquerda numa “crítica cultural” que colocou na “pauta” o ano de 68 e, no limite, um movimento progressivo para o próprio capitalismo.


Se hoje ressurge o movimento estudantil em nosso país, temos a certeza de que a linguagem do ano 68 servirá de grande exemplo. Temos, no entanto, que procurar nos lugares certos. Os intelectuais “progressistas” que ainda não se colocaram ao lado de Sarkozy em sua cruzada contra 68, o avaliam como um movimento cultural que democratizou a sociedade francesa, levado por estudantes contestadores, que ao modo de Dani le Rouge [1], hoje estão acomodados nos parlamentos e instituições europeus. Pela direita ou pela esquerda, ambos os discursos partem de um denominador comum: expulsam da história o movimento operário. A expressão dessa visão “culturalista”, está bem clara aqui: “O espírito de 68 é uma bebida potente, uma mistura apimentada e desejável, um coquetel explosivo composto por diversos ingredientes. Um de seus componentes – e não o menor – é o romantismo revolucionário, ou seja, um protesto cultural contra os fundamentos da civilização industrial/capitalista moderna, seu produtivismo e seu consumismo, e uma associação singular única e sem gênero, entre subjetividade, desejo e utopia [2] [...]”

Pelo contrário, as manifestações operárias e estudantis foram acontecimentos decisivos para a história francesa e a luta de classe internacional, pois abriram um ciclo de recomposição massivo de ofensiva do trabalho contra o capital: um questionamento dos mecanismos de exploração capitalista partindo da “ordem fabril”, um questionamento da sangrenta dominação imperialista e um questionamento dos agentes da burguesia no movimento operário que defendiam o reformismo e a conciliação de classes, começando pelo stalinismo. Demonstraremos, contra esse tipo de concepção “inovadora”, que o motor fundamental do maio francês não se restringiu ao que se passa na cabeça dos reformadores da ordem social existente, pois foi, acima de tudo, como afirmou Jean-Pierre Duteil, uma mostra de que “a luta de classes não era uma estante do departamento de antiguidades, a classe operária não fez sua despedida”, ou seja, marca a entrada em cena de um movimento operário extremamente moderno e concentrado, que se colocava como sujeito potencial não de uma premissa teórica, como nos tempos de Marx, mas como um sujeito fundamental na abolição da sociedade de classes; segundo o historiador Perry Anderson, “A revolta de maio de 68 na França foi um marco histórico decisivo. Foi a primeira vez em cerca de cinqüenta anos que um levante revolucionário de massas teve como palco um país capitalista avançado - em um período de paz, num contexto de prosperidade imperialista e democracia burguesa” [3].

O lugar de 68 na história

Como um acontecimento dilatado no tempo, 68 se expande no mundo, colocando assim em posição defensiva a “ordem imperialista” do pós-guerras, estabelecida simbolicamente pouco mais de 20 anos antes por Churchill, Roosevelt e Stálin. Os acontecimentos da luta de libertação da Argélia, a guerra do Vietnã e a ofensiva militar contra o imperialismo nesse ano, os profundos processos da luta de classes na América Latina que se gestavam e as experiências dos processos revolucionários do pós-guerra, ainda que de forma distorcida pelos “teoremas de Yalta” e obscurecido o debate estratégico por um marxismo revolucionário genuíno, tornou possível uma “pressão cultural” muito distintas das “revoluções dos costumes” de hoje. A capacidade expansiva da luta do maio francês prenunciou: Ce n’est qu’un début, continuons le combat!, e pouco depois os operários de Turim colocaram a sua maneira que a Lotta continua! [4].

Na França, ainda que por distintas razões não estivesse naquele momento em jogo a “revolução imediata”, o que D. Bensaïd chamou de ensaio geral revolucionário seguindo a “velha” terminologia de Lênin em 1905, estava colocada claramente a possibilidade de colocar abaixo, partindo das fábricas e das ruas, o regime gaullista. 68 é, sobretudo, um novo marco, após anos de crescimento capitalista “pacífico”, pois colocou novamente em cena uma luta de classes, de formas mais contemporâneas a nós do que aos communards de 1971, mas não menos “enfática” no que diz respeito às contradições fundamentais da sociedade capitalista; esse ciclo de insubordinação política contra o regime burguês colocou em xeque o papel das velhas direções do proletariado, o stalinismo e a social-democracia e também a CGT.

Parecia que nos anos 1960 a classe operária estava adormecida de forma duradoura sob o bonapartismo de De Gaulle e na Europa. Mas, desde o ponto de vista quantitativo o ano de 68 da França representou o movimento de greves mais imponente na história do movimento operário ocidental, superior ao ano 1969 na Itália (o “outono quente”) e também do importante movimento do ano 1926 na Inglaterra [5]. Ou seja, sem restabelecer a centralidade do protagonismo operário é impossível entender o alcance profundo do maio francês e de suas repercussões para a luta de classes. É impossível entender ao mesmo tempo quatro décadas dedicadas “intelectualmente” para liquidar o proletariado como ator do “ensaio geral”.

“O verdadeiro perigo começou quando os operários entraram em cena. Primeiramente, no dia 13 de maio, uma grande manifestação de solidariedade depois da noite das barricadas e depois, nos dias seguintes, quando os operários mais jovens, sem consultar os seus sindicatos, decidiram seguir os estudantes. Em 16 e 17 de maio, quando as grandes forças da CGT e CFDT [federação de sindicatos], entendendo que sua credibilidade estava muito abalada, chamam a generalização da greve. Foi nesse momento que apareceu claramente a fragilidade do Estado. A polícia podia dispersar atos, destruir dez ou vinte barricadas, mas não podia controlar cem ou quinhentas fábricas, oficinas, lojas, bancos e estações de trem. Muito menos poderia trazê-los de volta ao trabalho.”[ Maurice Grimaud, ex-chefe de polícia de Paris, entrevista de 1988. []]

Movimento operário e luta de classes

Se os estudantes impuseram (contra) as organizações sindicais uma frente-única, as massivas jornadas de 13 de maio e a orientação das fábricas nos setores mais avançados da classe colocarão a essas mesmas direções sindicais um enorme processo de greve geral eminentemente política que sacudirá no ar o regime gaullista. Esse processo foi combatido de todas as maneiras pelo PCF e a CGT, buscando isolar o proletariado da vanguarda estudantil, tal como afirma um calunioso artigo do L’Humanité, jornal do PCF, na voz de seu chefe Georges Marchais: “Como sempre, quando avança a união das forças operárias e democráticas, os grupelhos ‘gauchistes’ [‘esquerdistas’] se agitam. Se encontram particularmente ativos entre os estudantes. (...) É preciso desmascarar esses falsos revolucionários que objetivamente servem aos interesses do poder gaullista e dos grandes monopólios capitalistas” [6].

Nas fábricas, os jovens trabalhadores eram a vanguarda indiscutível da insubordinação ao capitalismo e as direções oficiais. A grève sauvage (greve selvagem) se expande e cria lutas exemplares com na Sud Aviation em Nantes e na Renault-Cléon. O fato de que a burocracia sindical tenha controlado o desenvolvimento do movimento de greves e tenha literalmente prendido os trabalhadores em suas fábricas ocupadas, para evitar que se coordenassem entre si ou mesmo com os estudantes e tomassem assim o controle, não significa que conseguiram acabar com a determinação do proletariado convencido da possibilidade e da necessidade de arrancar como mínimo concessões significativas: “Pela sua determinação [os estudantes] balançaram a opinião pública a seu favor e forçaram os sindicatos a organizar atos de massa e a greve geral que até então evitavam. A apatia das forças sociais, mantida pela estratégia reformistas destas organizações é sem sombra de dúvidas uma das maiores garantias do regime hoje” [7].

Confiantes na sua capacidade de controle do processo, as confederações sindicais e a CGT abrem as negociações da rue de Grenelle (Ministério do Trabalho) em 25 de maio. Após 24 horas de negociações conseguem concessões mínimas da patronal e pensam que poderiam terminar com a greve: “Os patrões e o Estado estão em uma encruzilhada. A burguesia, confusa, chama os ‘representantes das organizações dos trabalhadores’ para retomar o controle. Sabem que em um período de profunda crise social as direções reformistas constituem a melhor e a última alternativa do regime capitalista: enlameadas no parlamentarismo, escrupulosamente respeitosas com a legalidade burguesa, essas direções sabem como canalizar a combatividade das massas e tentarão fazê-lo com objetivos compatíveis com a sobrevivência do sistema” [8].

De Gaulle e os stalinistas, e estes últimos mais uma vez rememorando a sua traição histórica, como nos processos revolucionários de 1935-1937, conseguem salvar a classe dominante do espectro revolucionário. Dividem-se as tarefas: o stalinismo se encarregou de atomizar o movimento operário e De Gaulle acorda com as distintas frações burguesas um bloco social reacionário. Em um comunicado de rádio no dia 30 de maio, a poucas horas de voltar da Alemanha, De Gaulle tenta dar uma saída formalmente constitucional e “democrática” para terminar com o movimento que o ameaçou durante duas longas semanas!

Nos dias seguintes se precipitaram as negociações por ramo de produção entre a patronal e a burocracia, que obtém aumentos salariais e maiores direitos sindicais nas empresas. Após duas semanas de greve a burocracia consegue que muitos voltem ao trabalho e no início de junho cessam as movimentações na EDF-GDF (setor energético), no metrô de Paris e nos correios as assembléias votam o retorno ao trabalho e também em outros setores importantes como os mineiros, ferroviários e operários da construção civil. Apesar de tudo, os grevistas não retomaram o trabalho facilmente, já que em muitos locais e fábricas se converteram em pontos de resistência grevista frente à pressão das direções; porém, frente à ausência de perspectivas, inclusive esses pontos de resistência terminaram votando um amargo fim de greve.

A impressionante vitória da burguesia em eleições celebradas após poucas semanas de um dos maiores processos políticos que atravessou o país no século XX não apaga as marcas profundas que deixaram as greves operárias. Ainda que estivesse respaldada pela eficiente mecânica constitucional gaullista da V República, que permitiu a burguesia enfrentar a irrupção operária pós-68, tardarão anos para resolver a crise aberta durante aquelas semanas de greves generalizadas.

Em dez de maio, um conhecido comentador de futebol foi enviado para o Bairro Latino para cobrir os eventos da noite e reportou: ‘Agora a CRS [9] está atirando, estão destruindo a barricada – meu Deus! Uma batalha acontece. Os estudantes estão contra-atacando, podem-se escutar os barulhos – a CRS recua. Agora estão se reagrupando e preparam para atacar novamente. Os moradores jogam coisas de suas janelas contra a CRS – oh! A polícia retalia, atirando granadas nas janelas dos apartamentos...’ O produtor do programa interrompe: ‘Isso não pode ser verdade, a CRS não faz coisas como essa!’; “Eu estou dizendo o que vejo...”. Sua voz desaparece. O programa o cortou. [10]

O movimento estudantil e a luta de classes

Já desenvolvemos em artigos anteriores aspectos do que se tornou a “universidade de massas” no pós-guerra e nos cabe aqui observar as questões políticas [11] mais importantes que fizeram com que o m.e. fosse parte fundamental dos processos de maio, tanto como “detonadores” diretos quanto como parte da vanguarda política. Por exemplo, a universidade Sorbonne era uma das formas mais desenvolvidas de “duplo poder”; ainda que os trabalhadores fossem a “força vital” de 68, não se pode desconsiderar que a política das direções oficiais conseguiram que não se desenvolvessem formas de combate nas fábricas tais como colocaram em prática os estudantes.

As leis da burguesia perderam sua vigência nos limites da universidade, ao contrário do processo nas fábricas no qual se generalizaram as ocupações sem que tivessem, no entanto, um norte político ofensivo: a polícia não entrava na universidade, Cohn-Bendit, que mais tarde foi banido da França como um “judeu-alemão” subversivo, vivia ali “tranquilamente”; era o auto-governo da Sorbonne, que não prestava a mínima atenção às decisões governamentais sobre a educação. Exemplos como esse, que tiveram o seu prólogo no movimento 22 de março, na universidade de Nanterre, se generalizaram e muitos de seus aspectos “culturais” estavam diretamente ligados a perspectiva de uma luta pela completa transformação da sociedade de classes. A universidade devia ser transformada de uma fábrica que produz robôs em um centro de organização da atividade anti-capitalista, um bastião da educação revolucionária; mas também sabiam os estudantes, que “poderiam conquistar algumas concessões nos limites da universidade, mas sem o tremendo levante da classe operária, fariam muito pouco. Não havia dúvidas que o centro da luta passaria dos estudantes para os trabalhadores. E naquele momento, se tornou em primeiro lugar de como os estudantes se ligariam com essa luta, como expressariam sua solidariedade com os trabalhadores, como encorajar a sua luta e fazer qualquer coisa possível para influenciar o movimento para um curso revolucionário [12]”

“A Assembléia Geral de 13 de maio decidiu que a Universidade de Paris se declara uma universidade autônoma e popular e estará permanentemente aberta, dia e noite, para todos os trabalhadores.

A Universidade de Paris será administrada pelos Comitês de Ocupação e Administração constituído por trabalhadores, estudantes e professores.”

Como afirmou em 19 de maio o comitê de ocupação da Sorbonne, “A ocupação que começou em 13 de maio abriu um novo período na crise da sociedade moderna. Os acontecimentos que hoje tomam a França antecipam o returno do movimento revolucionário do proletariado em todos os países. O movimento que já avançou da teoria para a luta nas ruas hoje avançou para a luta pelo controle dos meios de produção. O capitalismo moderno pensou que tinha terminado com a luta de classes – mas começou novamente! O proletariado supostamente não existia mais – e aqui está de novo!

Entregando a Sorbonne, o governo esperava pacificar a revolta estudantil, que já havia conquistado regiões de Paris nas barricadas em uma noite inteira após serem derrotados com grande dificuldade pela polícia. A Sorbonne foi dada aos estudantes na esperança de que pacificamente iriam discutir os problemas universitários. Mas os ocupantes imediatamente decidiram abri-la ao público para discutir os problemas gerais da sociedade. Era assim o prenúncio de um conselho, um conselho no qual até os estudantes quebravam a sua miserável condição de ‘estudantes’. [13]”

Concluímos não somente deixando explícitas as imponentes formas que a luta de classes assumiu de 68, pois abrimos novamente as páginas de nosso jornal para a recuperação dos exemplos de luta, debates estratégicos e fragmentos de subversão da política; também queremos evidenciar um processo “subterrâneo” anterior ao maio, que nos diz muito da maneira com a qual se pode reconstruir as nossas ferramentas de luta atuais. Não nos convencemos facilmente, como os “culturalistas” de hoje de que 68 foi uma “explosão juvenil” solta no espaço. Durante todos os anos 1960, por exemplo, a juventude do PCF foi golpeada por uma vanguarda que saída de suas próprias fileiras e prestava solidariedade ativa e antiimperialista a luta de independência da Argélia. Durante anos a fio a juventude viu as guerras civis levadas pela burocracia stalinista na URSS e nos países do Leste contra os trabalhadores, seja em 1956, seja na “Primavera de Praga” no mesmo ano. Outros exemplos não faltarão para demonstrar os “momentos preparatórios” de 68 estiveram plenos não somente do sentido de resistência, mas da necessidade do porvir.

Communiqué

Camaradas,


Considerando que a fábrica Sud-Aviation em Nantes foi ocupada há dois dias pelos operários e os estudantes desse cidade, e que hoje o movimento se espalha por várias fábricas (Nouvelles Messageries de la Presse Parisienne em Paris, Renault em Cléon etc.),


O COMITÊ DE OCUPAÇÃO DA SORBONNE chama pela imediata ocupação de todas as fábricas na França e pela formação de Conselhos Operários.


Camaradas, espalhem e reproduzam esse chamado o mais rápido possível


Sorbonne, 16/05/68, 3:30 pm


[1] Daniel Cohn-Bendit, liderança estudantil de grande expressão, parte do movimento 22 de março e hoje parlamentar.

[2] Recentemente, em uma atividade política do PSTU, o professor Henrique Carneiro, intelectual ligado ao partido, afimou teses com o mesmo conteúdo; M. Löwy O romantismo revolucionário do Maio de 68. Publicado em Thesis Eleven, no. 68, fev/02.

[3] P. Anderson Considerações sobre o marxismo ocidental. Brasiliense, 1989, p.135.

[4] Este é só o início, continuemos o combate! / A luta continua! Em recente entrevista, o intelectual Chico de Oliveira afirmou: “De qualquer modo, a interpretação mais aceita é que 68 abvriu as portas de umma espécie de revolução cultural no Ocidente, na qual se inscreveriam temas como o da sexualidade. Entretanto, dizem Rancière e Zizek que todo mundo esquece que 68 foi uma revolta política. Que ela tenha tido efeitos vagamente culturais nem precisa ser dito, pois toda revolução política tem efeitos culturais. Na França, essa foi marcadamente uma revolta anticapitalista. Os atores centrais não foram os estudantes, mas os operários”. Caderno 2, Estado de SP, 11/05/08.

[5] A França contabilizou em torno de 150 milhões de dias de greve como mínimo, enguanto na Itália 37 mi.e 14 mi. na Inglaterra.

[6] G. Marchais, “De faux révolutionnaires à démasquer”, L’Humanité, Paris, 03/05/68.

[7] “A luta continua”, Juventude Comunista Revolucionária, (organização que se formou como fração de esquerda da juventude do PCF em 1965 e depois fundou a LCR), maio/68.

[8] “Trabalhadores, estudantes !”, JCR, 21/05/68.

[9] Tropa de polícia francesa que destacada para reprimir os conflitos de rua.

[10] Relato de Jean-Jacques Lebel para Tariq Ali, Maio de 68, Para onde foi toda a raiva?, The Guardian, 22/03/08.

[11] A luta de classes no ano 68 e o movimento estudantil, Palavra Operária nº31. Nos dois últimos artigos desenvolvemos aspectos da resistência estudantil contra a ditadura militar, dando alguma atenção ao debate estratégico que surgia na vanguarda e no m.e., processo este que ocorreu de forma muito similar na França.

[12] Mary-Alice Waters The french student revolt. International Socialist Review

[13] Informe sobre a ocupação, Paris, 19/05/68

http://www.ler-qi.org/

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